Women Funded 2019 reúne mulheres de todo o mundo para troca de experiências

Por K.K. Verdade, Jana Silverman, Rachel Micah-Jones

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Empoderamento e transparência no mundo da moda estão entre os assuntos debatidos durante o encontro, que ocorreu em São Francisco (EUA)

Empoderar mulheres e tornar a indústria da moda transparente, combatendo a violência no ambiente de trabalho são necessidades urgentes. Por isso, reunir mulheres para trocar experiências e compartilhar aprendizados é uma iniciativa relevante. Foi o que aconteceu no Women Funded 2019, conferência que promoveu o encontro de mulheres de todo o mundo em São Francisco, nos Estados Unidos, para discutir soluções como empoderamento e promoção da liderança feminina, para que outras mulheres também sejam beneficiadas com as mudanças. 
 
O WF é um evento que acontece a cada dois anos. O tema deste ano foi liderança feminina, com debates e discussões que também versaram sobre justiça climática, desigualdade econômica, falta de representação e preconceitos de gênero, sempre com foco em melhorar a vida das mulheres e garotas ao redor do mundo. A troca de experiências sobre os mais diversos temas permite que essas mulheres voltem aos seus países e coloquem em prática as lições aprendidas durante a conferência.  
 
A coordenadora executiva do Fundo Elas, K.K. Verdade, a responsável pelos programas do Solidarity Center no Brasil, Jana Silverman, e a fundadora e diretora executiva do Centro de los Derechos del Migrante, Rachel Micah-Jones, descrevem a seguir a importância de participar de um evento como o WF.  
 
K.K. Verdade: “Estar no WF é estar entre pares” 
Participar do WF é estar entre pares e envolvida exatamente com o que o Fundo Elas faz, além de ter contato com experiências exitosas de fundos de mulheres em outros países, com temáticas muitas vezes inovadoras. 
 
Estar no evento, portanto, foi uma experiência rica. Tive a oportunidade de compartilhar as experiências do Fundo Elas no Brasil, com foco no enfrentamento da violência contra as mulheres, e pude compartilhar a forma com que nós nos relacionamos com os outros grupos apoiados. 
 
Eu acredito que a transparência na indústria da moda é algo a se buscar sempre. Na conferência, vimos que a transparência não depende de alguém do setor tomar uma decisão, mas é fruto de um esforço coletivo que demanda o compromisso de vários setores, e um trabalho conjunto para que a gente possa desfrutar. 
 
Por isso que eu acredito que é importante financiar mulheres. Muitas dessas iniciativas de transparência vêm delas, então precisamos colocar o dinheiro na mão das mulheres, financiá-las e apoiá-las para que consigamos chegar a um processo mais transparente. 
 
Jana Silverman: “É preciso empoderar mulheres sindicalistas na indústria da moda” 
Meu trabalho envolve o apoio, promoção e manutenção de direitos trabalhistas, com grande foco em mulheres. Foi a primeira vez, então, que participei de um tipo de atividade global que falava de filantropia e mulheres, além de feminismo e combate à pobreza. Foi realmente um momento de troca de experiências, e bom para conhecer outras organizações e pensar em futuras parcerias, inclusive com organizações que também recebem o apoio do Instituto C&A.  
 
Uma coisa que percebi no WF é que ainda não há muito sobre o tema de direitos trabalhistas: as organizações representadas ali tinham mais foco em questões de gênero. O fato mostrou que temos ainda mais trabalho no futuro, de nos aproximarmos mais do mundo sindical com outras organizações filantrópicas feministas. 
 
Um dos nossos desafios é em consequência do que estamos vivendo no Brasil. É um retrocesso em termos de direitos trabalhistas, pois, em crise política e econômica, quem sofre mais são as mulheres, principalmente as mulheres negras. Estamos vendo um desmonte de muitas proteções na legislação, nos direitos trabalhistas e direitos das mulheres, além de vermos um enfraquecimento das organizações sindicais, na base financeira.  
 
Por isso, temos de criar lideranças dentro dos sindicatos, para dar novas ideias e pensar em estratégias para podermos tentar sair dessa crise. 
 
Rachel Micah-Jones: “Buscamos construir solidariedade entre as mulheres” 
A troca de experiências entre mulheres ao redor do mundo no WF foi também inspiradora. O profundo senso de solidariedade e interconexão, juntamente com as diferentes perspectivas e contextos, criaram um espaço seguro para reflexões e conversas significativas. 
 
Por isso que, apesar dos diferentes contextos, estamos todas trabalhando para construir um mundo mais equitativo para as mulheres, e muitas de nós compartilhamos as estratégias e abordagens para esse fim. Nós do Centro de los Derechos del Migrante buscamos construir solidariedade entre as mulheres imigrantes e fornecer ferramentas necessárias para que elas organizem suas comunidades. 
 
Uma das lições mais valiosas que aprendemos a partir de nossas experiências foi a importância das vozes dos trabalhadores. É fundamental centralizar as vozes dos trabalhadores imigrantes que foram afetados diretamente pelas mudanças políticas. 
 
No WF, tive a oportunidade de dividir com mulheres de outros países o trabalho que faço para defender os direitos trabalhistas dos imigrantes. Falei sobre a liderança feminina no avanço da justiça dos imigrantes e como apoiamos as mulheres imigrantes conforme elas se organizam sobre as suas próprias visões de mudança. 
 
Rede poderosa e movimento para mudanças 
O WF 2019 trouxe grandes conquistas. Mais de 465 participantes de 14 países se reuniram em São Francisco, nos Estados Unidos, para falar sobre equidade, educação de jovens mulheres, transparência na indústria da moda, crise climática e outros temas pertinentes.  
 
O evento inspirou mulheres de todo o mundo, e o estilo prático da conferência também forneceu subsídio para que elas possam promover ações e mudanças em seus países de origem, lutando contra a desigualdade de gênero e promovendo a liderança feminina.