Freedom Fund: combatendo o trabalho forçado e o trabalho infantil na Índia

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Em 2019, o Instituto C&A comemora cinco anos  atuando  para  transformar  a moda em uma força para o bem.  Nesta  série de  entrevistas, destacamos cinco  parceiros que  estão conosco  nessa  jornada  por  uma indústria da moda justa e sustentável.  

“Trabalhamos por uma indústria onde as pessoas tenham trabalhos decentes e justos, onde sejam tratadas com dignidade. Um mundo onde as marcas assumam a responsabilidade pelas decisões que tomam e pelas pressões que exercem ao longo da cadeia de fornecimento. Ser capaz de criar um mercado de moda justo, ético e que levante trabalhadoras e trabalhadores em vez de sujeitá-los ao dano”, diz Amol Mehra, diretor administrativo do Freedom Fund, sem pestanejar, quando perguntado qual era sua ambição.  

Sua colega Ginny Baumann, gerente sênior de programas que supervisiona projetos na Índia, concorda plenamente. Ela diz: “O trabalho que realizamos em parceria com o Instituto C&A, nos estados indianos de Rajastão e Tamil Nadu, busca esse resultado. O nosso foco está na forma como podemos transformar todo o setor, para que não haja trabalho infantil ou forçado como forma fundamental de fazer negócios nas indústrias têxtil e de vestuário. Fazemos isso quando impulsionarmos uma estratégia conjunta que envolve indústria, autoridades, os sistemas de aplicação da lei e as comunidades”. 

Conversamos com Amol e Ginny sobre a missão do Freedom Fund, o impacto de seus projetos com o Instituto C&A na Índia e o que os move e impulsiona a fazer esse trabalho todos os dias. 

O poder das parcerias e da colaboração para transformar a indústria 

O programa em Jaipur, Rajastão, está focado na eliminação do trabalho infantil na indústria local de vestuário e artesanato. Ele se distingue pela sua parceria com o governo estadual desde o início, para desencadear ações decisivas no combate ao tráfico de pessoas. O programa tornou a questão visível em toda a cidade, ao mesmo tempo que incentivou as empresas locais a se tornarem livres do trabalho infantil. A mobilização comunitária em bairros cuidadosamente selecionados está rapidamente anulando a aceitação da exploração infantil na região.  

Em Tamil Nadu, o programa se concentra em meninas e jovens mulheres que trabalham em fiações e teares elétricos, a parte da cadeia de fornecimento que tem um nível mais elevado de trabalho forçado do que outras. Mais uma vez, aprendemos que o sucesso do programa reside na sua capacidade de manter o envolvimento do governo e a pressão sobre as empresas - ao mesmo tempo que promove a resistência ao trabalho forçado e infantil nas comunidades mais afetadas.  

“Trabalhar com o Instituto C&A tem sido uma forma de alavancar nossas forças para resolver o problema. Neste caso, uma análise compartilhada das relações distorcidas de poder dentro da indústria e, em seguida, a construção conjunta de um novo modelo que crie condições básicas para um trabalho justo e decente.” - Ginny Baumann, gerente sênior do programa, The Freedom Fund 

Amol reflete sobre o poder das parcerias e colaborações para impulsionar a mudança sistêmica. Ele diz: “Vemos a parceria com o Instituto C&A como uma colaboração para mudar um setor. Isso significa unir-se ao Instituto C&A em seus esforços globais para influenciar várias associações de marcas e indústrias e analisar mais amplamente o que pode ser melhorado na cadeia de fornecimento do setor de vestuário em questões como transparência e práticas de compra. Ao usar nossos aprendizados obtidos a partir das comunidades da linha de frente, temos como informar a mudança de políticas globais e moldar melhor a conversa com as marcas sobre o que elas devem melhorar”. 

Nossa parceria com o Instituto C&A é exatamente o tipo de esforço que é necessário para que façamos progressos significativos. Nenhuma instituição pode fazer isso sozinha. Cada um de nós tem pontos fortes diferentes, e esta parceria é um exemplo de como alavancar os pontos fortes que temos. Somos gratos pela oportunidade de colaborar com as mentes incríveis do Instituto C&A e ainda há muito trabalho a ser feito”. - Amol Mehra, diretor administrativo do The Freedom Fund 

Conectando a indústria para direcionar o impacto coletivamente 

Amol e Ginny complementam os esforços um do outro dentro do movimento, ambos profundamente apaixonados pela missão da organização de combater a o trabalho forçado. 

Ginny fala sobre o impacto na linha de frente: “Sentar-se com pessoas em Jaipur e Tamil Nadu, ver o ponto de vista deles (e seu) ganhar vida, faz a gente pensar ‘é disso que se trata’. A coisa mais poderosa é permitir que as pessoas da comunidade, que têm vivências próprias de exploração, reconheçam o seu próprio papel e levantem as suas vozes junto ao governo e em seus locais de trabalho como embaixadores da mudança”. 

O entusiasmo de Amol em usar essas aprendizagens na linha da frente para impactar a transformação em todo o setor é contagiante. Ele diz: “Acredito que não chegaremos a lugar algum sem ouvir e sem sermos guiados pelo que as pessoas sentem, vivem e vêem em campo. Temos a capacidade de aprender, acessar e ser guiados por esses parceiros para moldar as nossas intervenções. Adoro poder conectar as várias vivências daqueles que trabalham nas linhas de frente com esforços mais amplos para mudar o setor de uma forma geral”. 

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